Suor explicado: por que suamos, quando vira hiperidrose e como cuidar do corpo sem vergonha

Suor

Suar é universal, mas pouco conversado. A média humana perde cerca de 1.263 litros por ano — mais de 100 mil litros ao longo da vida — e essa saída de água e eletrólitos é a principal forma do corpo regular a temperatura. Ainda assim, para muita gente o suor é fonte de constrangimento e dúvidas.

Por que suamos? O mecanismo por trás do brilho

O suor é acionado quando a temperatura central do corpo sobe — por exercício, calor, febre, estresse ou até após refeições com comidas picantes. O sistema nervoso envia sinais às glândulas sudoríparas, que liberam líquido sobre a pele; essa umidade evapora e resfria o corpo.

“Suar não é um pecado e não deveria ser visto assim. É perfeitamente normal e é a forma do corpo regular a temperatura”, afirma o personal trainer Paul Tomkins. O médico Dr. Vijay Nayar explica que o suor é composto principalmente por água e eletrólitos como o sal, e que a perda diária em repouso varia de meio litro a um litro, podendo aumentar muito em clima quente ou durante atividade física.

Quando o suor é excessivo (hiperidrose)

Algumas pessoas suam muito mais do que outras. A genética é um fator importante: algumas pessoas têm glândulas sudoríparas naturalmente mais ativas. Mudanças hormonais — como na puberdade, gravidez ou menopausa — estresse, ansiedade, composição corporal e condições médicas (por exemplo, tireoide hiperativa) também influenciam a produção de suor. Certos medicamentos, incluindo antidepressivos e alguns remédios para pressão, podem aumentar a sudorese.

A hiperidrose afeta milhares de pessoas: ela pode ser localizada (como nas axilas) — chamada hiperidrose primária — ou generalizada, quando decorre de outra condição médica (hiperidrose secundária). O médico Dr. Ross Perry observa: “A hiperidrose é definida menos pela quantidade de suor e mais pelo impacto na vida diária. Se o suor aparece em situações frias ou em repouso e interfere no trabalho, nas relações sociais ou na confiança, pode ser considerada excessiva.”

O diagnóstico costuma se basear na história clínica. Tratamentos variam de antitranspirantes de prescrição e medicamentos a injeções de toxina botulínica e terapias especializadas, conforme recomendação médica.

é o suor que fede?

Por si só, o suor é inodoro. O odor aparece quando o suor entra em contato com bactérias na pele. Áreas com glândulas apócrinas — axilas e região inguinal — produzem um suor mais espesso que é facilmente degradado por bactérias, gerando cheiro mais forte. A composição do microbioma da pele e fatores genéticos explicam por que algumas pessoas têm odor corporal mais acentuado que outras.

Alimentos também alteram o cheiro: alho, cebola, comidas muito temperadas e álcool contêm compostos que saem pelo suor e são transformados por bactérias em subprodutos mais pungentes. Além disso, deixar roupas suadas por muito tempo intensifica o cheiro, pois as bactérias têm mais tempo para agir.

Fitness, desidratação e mitos: o que é verdade?

Ao contrário da ideia de que estar descondicionado faz você suar menos, pessoas fisicamente aptas tendem a começar a suar mais cedo e talvez suar mais durante o exercício — porque seu corpo regula a temperatura de forma mais eficiente. “Suar eficientemente permite que o calor seja liberado mais rápido, ajudando a manter a temperatura central estável”, diz Dr. Perry. Por outro lado, sedentários podem suar mais em atividades cotidianas por terem menor eficiência térmica.

Um mito comum é achar que é possível “suar o álcool” após uma bebedeira. Não é: o álcool é metabolizado pelo fígado, e suar não remove quantidades relevantes de álcool do organismo. O álcool também dilata vasos e pode aumentar a sudorese, e exercícios após beber podem agravar a desidratação e a perda de sais.

É possível não suar? E os antitranspirantes são seguros?

Existem condições raras como anidrose e hipohidrose, em que o corpo produz pouco ou nenhum suor. Essas condições, que podem ter origem genética, neurológica ou medicamentosa, são perigosas porque impedem o resfriamento natural, aumentando o risco de insolação.

Para quem quer reduzir o suor, os antitranspirantes são a opção mais usada: eles bloqueiam temporariamente os dutos sudoríparos, geralmente com compostos à base de alumínio. Segundo Dr. Nayar, as evidências atuais não mostram que antitranspirantes causem problemas significativos de saúde ou afetem a regulação da temperatura de modo geral. Também não há ligação forte entre antitranspirantes e câncer ou Alzheimer. Quem tem pele sensível deve evitar produtos com fragrância, álcool ou sais de alumínio, optando por desodorantes que controlam o odor sem bloquear o suor.

No caso de irritação, alergia ou impacto na qualidade de vida, procure um médico. Há opções médicas e terapêuticas para quem sofre com suor excessivo.

Em resumo: suar é sinal de que seu corpo está funcionando. Preste atenção quando o suor surgir em situações inesperadas, causar constrangimento ou atrapalhar atividades — nesses casos, uma avaliação médica pode ajudar a identificar causas e tratamentos. Para o dia a dia, escolha roupas que absorvam ou afaste a umidade, mantenha boa higiene e, se necessário, procure soluções médicas seguras.

Conteúdo baseado em entrevistas e declarações de especialistas e em informações clínicas sobre sudorese.

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